Música das letras por Filipe Araújo

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Martelo de espinhos”


Os teu amor de metal..

Brutalmente comprime o meu feito de papel....

Numa prença a qual ousas chamar coraçao..

Pobres os meus sentimentos,

Que todos os dias se sugeitam a chacina

Da tua razão..

Que aplicas como 1ª lei inquebravel

Que me deixa aos pedaços

Sim pedaços..

É tudo o que 1 dia serás

Quando te fechar no baú dos fracassos..

Mas enquanto o tempo não te roi..

Vais dissecrando e desconjuntando

O puzzle em forma de coraçao..

Que construiste em mim para me fazer acreditar..

Que o amor é 1 eterno “martelo de espinhos”

Dentro de mim a martelar..

Como tonar-se doente mental

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O título do post é também o título de um livro que recentemente adquiri. Escrito pelo psiquiatra português J.L.Pio Abreu este livro é uma escrita simples e bem-disposta que visa ajudar a melhor a saúde mental de cada um de nós.

Num mundo stressado e consumista é normal que possamos desenvolver certos comportamentos como a ansieade ou algumas fobias mas isso não significa que tenhamos alguma doença psiquiátrica grave e tal como se diz no livro os verdadeiros "doidos" não o reconhecem ser.

Este livro é um manual de como se tornar doente mental. Assim sabendo como nos podemos tornar em doentes mentais e quais os sintoma das diversas doenças a nossa cabeça apreende tudo o que deve fazer para não ficar doente.

Psicologia invertida ou um livro inteligente. A ler.

Domingo vou à bola

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1- A Liga portuguesa só será decidida na última ronda, ora isto é muito bom porque dá um ar de competetividade ao nosso campeonato, por outro lado o Porto como equipa mais rica e experiente é um fracasso por não ter já garantido o título. Não se percebe como é que uma equipa com as individualidades que o FCP tem (Anderson, Lucho ou Quaresma) não deixa as outras equipas a largos pontos. O Porto poderá ser campeão mas ainda assim vai-lhe saber a pouco.


2- Ao FCP basta vencer o Aves em casa. A tarefa será à partida fácil. Mas em futebol nunca se sabe. O Porto têm em Quaresma o melhor jogador da Liga e pela inconsistência que mostrou merece o sofrimento até ao fim.

Destaque para Adriano que de dispensado em Dezembro passou a salvador da equipa.


3-O meu Sporting chega ao fim com a possibilidade matemática de ser campeão e isso enche-me de orgulho. Paulo Bento fez de uma fornada de miúdos uma verdadeira equipa com talentos a defender e a atacar com muita classe e criatividade.

O Sporting quando joga bem é a melhor equipa mas sendo tão jovem a equipa foi também inconstante e só na fase final do campeonato encontrou por fim a equipa-tipo. Este campeonato será o campeonato de Nani, Moutinho e Veloso. De Liedson os golos do costume e de Romagnoli a organização de jogo que fazia falta em Alvalade.


4- O Belém que se pensou descer de divisão ficou e ainda bem. Os azuis foram uma equipa bem organizada, bem orientada por Jesus e é neste ano o quarto grande. Palavra para Dady , uma estrela improvável mas um goleador de mão cheia.

O Benfica viveu de Simão e de Miccoli e o resto foi o circo do costume, chega ao fim da Liga ainda podendo ser campeão mas isso seria uma injustiça.

Desilusão para o Braga e Boavista que com bons jogadores e futebol atractivo prometiam mais.


6- Á UEFA para além do Belenenses e Braga ainda pode ir Paços, Leiria ou Nacional. Decide-se domingo.


7-Para descer Aves e Setúbal devem descer mas também o Beira-Mar tÊm futebol para a segunda Liga.


8- Na segunda Liga fico feliz pelo regresso em glória de dois históricos clubes: Leixões e Guimarães. Gosto destas duas equipas porque têm o que para mim é o antídoto para os problemas do futebol português: estádios cheios.

Dá gosto ver as massas que seguem e apoiam Guimarães e Leixões. Amor ao clube é o mais bonito do futebol que afinal ainda é uma festa.


9- Domingo vou à bola , o que desejo é estádios cheios e fair-play. Se o meu Sporting for campeão melhor!

A ler

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História do Rei Transparante-Rosa Montero




Da idade das Trevas , a idade média, vem a luz de um romance histórico muito bem escrito pela espanhola Rosa Montero (autora do sucesso A louca da casa sobre o processo criativo de um escritor)
A história é simples: numa época de guerra e escaramuças constantes na França medieval Leona é uma simples camponesa de quinze anos que vive uma vida de miséria e de temor aos cavaleros e senhores feudais, um dia vê a sua vida drasticamente quando a sua casa é destruída, animais mortos e a família desaparece.

Desesperada a frágil Leona encontra em si forças para sobreviver: rouba uma armadura a um soldado morto em combate e faz-se passar por um cavaleiro. A partir daqui e após conhecer uma misteriosa amiga parte para um sem número de aventuras.



Faz lembrar o livro a Papisa Joana no sentido em que se trata de uma mulher medieval que se faz passar por um homem, faz lembrar Baudolino de Eco pelas aventuras e sobretudo faz lembrar uma obra-prima pela forma como nos faz sentir dentro do livro e dentro da idade média.





O Hussardo-Arturo Peréz-Reverte



De outro espanhol mas bem mais conhecido destaco o seu primeiro romance. Reverte, afamado repórter de guerra e autor de livros de enorme sucesso como A Rainha do Sul começou a carreira de romancista com O Hussardo.


Passado durante a época de Napoleão Bonaparte o Hussardo é um romance sobre a honra e a morte.


No centro está um jovem hussardo , membro de uma tropa de elite das ordas de Napoleão, que antes dos vinte anos tem a ilusão de que a honra de morrer em batalha é o propósito da sua vida de militar. Previsivelmente quando conhece o campo de batalha reflecte e faz o leitor reflectir sobre a guerra e o seu sentido (ou antes falta de sentido), a vida e a morte.

Uma boa reflexão e uma bom retrato da época.



O recruta- Robert Muchamore


Um livro de bolso que se lê de um folêgo. Uma história simples e divertida que não nos faz pensar muito mas nos dá prazer.


Um policial menor na qualidade mas maio no entretenimento. A história de uma organização secreta de espiões onde os agentes são todos crianças.

Os amigos em crise

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Uma sente-se vazia. Tem a profissão que quer mas mais trabalho do que queria. Ganha bem, tem família e amigos. Sente-se vazia. Diz que não seria um namorado que a completaria mas eu penso que sim. Sente-se vazia e esse vazio não o sabe explicar, o ser-humano sente sempre o vazio, é esse o seu prémio dado pela criação e também a sua maldição.


Há um que se sente negro. Todos os dias é negro por dentro e por fora. Esqueceu-se de como sorrir e está perdido, grande num mundo pequeno. Uns dizem que é preguiçoso de mais para respirar, não sei, vejo apenas que está negro e lhe falta o ar.


Uma tem todas as qualidades para ter sucesso menos a sorte de o ter. Ser inteligente, trabalhadora e bondosa não basta num mundo onde a sorte decide tanto. A incerteza é certa.


Outro tem um coração tão grande que o sufoca. Orgulhoso, apaixona-se e vive com tanta intensidade que a sua grandeza assusta o objecto do seu amor. Ama, ama como está escrito no manual e parece que já ninguém quer ser amado assim. Tristão dos tempos modernos, deixa uma Isolda menor tratar de ti.


Outra não sabe da vida o que lhe pedir. Forasteira, vive entre o sul e o centro apaixonando-se por terras que não são suas. Perdida, não sabe escavar até encontra a bússola. Quem ama a doença não merece a cura.


Ainda há a que voltou ao ventre apenas para perceber que já lá não cabe.


E de muitas outras dores poderia falar de entre as ordas de amigos que tenho mas não quero enumerar aqui todos os males que um humano pode absorver pois também eu, escrivão guardo em mim algumas crises para, me sentir de quando em vez um pouco humano.

Atenas à vista

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Milan de Itália e Liverpool de Inglaterra vão re-editar no fim do mês a final da Liga dos Campeões de há dois anos atrás. Ambas as equipas recuperaram , em casa, da desvantagem que traziam da primeira mão e com justiça jogaram a final da mais importante competição de clubes europeus.


Em Milão o Milan que até nem está a fazer uma grande época contou com dois homens para destruir por completo o Man. United : Kaká e Seedorf. Kaka é actualmente o melhor jogador do mundo e jogando a ponta-de-lança (Gillardino e Oliveira falham de mais e a Pipo já pesam os naos) faz jogar e marca muitos golos, tantos que é o melhor marcador da prova. Seedorf com Kaká a avançar no terreno ganhou espaço para ser o médio criativo explosivo que sempre quis ser e já tinha sido em Madrid e Amsterdão.

O Milan jogou com uma defesa sólida e organizada, meio campo musculado com os pulmões Ambrosini e Gattuso e o ataque com o genial Kaká. 3-0 sem deixar respirar o nada modesto Manchester.


Em Liverpool a equipa da casa aproveitou o mau momento do desinspirado Chelsea para vencer por 1-0, golo de Agger. Este Chelsea é uma sombra da equipa maravilha das últimas duas épocas. Nos penaltys mais sorte para Reina, a Cech nada mais se podia pedir...


Cinema

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Porque sim






Ora cá está uma típica comédia romântica norte-americana: uma menina bonita mas infeliz no amor conhece finalmente o rapaz bonitão e rebelde que se mostra afinal ser um doce e ambos se apaixonam, depois separam-se devido a um mal entendido e, no fim o amor ganha e o casalinho fica junto e feliz para sempre.



Neste caso temos a história de Diane Keaton (uma senhora do cinema que já tinha experimentado o género em Alguém tem que ceder) que sendo uma senhora de uma certa idade e solitária não quer que a sua filha mais nova (Mandy Moore, uma delicia) acabe sozinha e solitária e arranja-lhe um pretendente via internet, mas um músico misterioso intromete-se no processo e encanta a jovem.



Um filme previsível mas ainda assim sabemos ao que vamos e se formos com a mente aberta vemos o filme como divertido e claro os romÂnticos como eu vÊm este filme com um sorridso estúpido na boca...






As pragas






Pobre Hillary Swank, bi-Óscar para melhor actriz metida numa trapalhada narrativa prevísivel...
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Sempre me considerei um lutador, fui conseguido ultrapassar com facilidade os problemas que a vida me enviou e durante toda a minha vida me foram sobrando forças para resolver também os problemas de muita gente que me rodeava ou rodeia.

Eu fazia centenas de telefonemas e aliviava a dor alheia, escutava durante horas lamúrias ou dizia as coisas mais positivas como se o facto de ser eu a dize-las as fizesse acontecer instantaneamente. Sei que para muitas pessoas sou apenas alguém a procurar quando têm problemas e sabendo isso não sou enganado quando os ajudo , com prazer, a resolve-los.

Não sou um santo nem quero ser nem quero com esta introdução dizer que já passei pelas maiores tormentas da vida pois isso seria injusto para milhões de pessoas que já passaram muitas mais provações na vida que eu.

Quero apenas dizer que durante anos a fim com mais ou menos dificulade resolvi os meus problemas quase sozinho e com uma força interior que o meu aspecto bondoso não denuncia.

Até ao dia em que comecei a sentir-me mal. Foi depois do melhor verão da minha vida que provei sensações estranhas ao meu corpo.

Sofro de ansiedade, stress ou dores de criança crescida como quer que lhe queiram chamar. Nos ultimos meses já não me vejo no espelho como a pessoa que era. Provo na pele sintomas estranhos como um desconforto no peito ou tonturas e , quando penso que tudo está controlado o meu corpo arranja um novo sintoma para me dizer que não estou curado.

Sinto-me mal nas mais variadas situações e sem que veja um padrão para tal. Senti-me muitas vezes deprimido e desiludido comigo próprio agora que qualquer coisa parece derrotar-me e enervar-me quando sempre fui tão calmo e sereno.

Abandonei o café e o alcóol tão caros a mim e tento a todo o custo acalmar-me. Estou ansioso, sei que a culpa é minha, quero viras as páginas depressa de mais mas sei que a vida tem que correr natural. Sei isso mas parece que não sei ordenar ao meu corpo que me obedeça.

Quero controlar outra vez a minha vida como sempre fiz. Vou lutar para acabar com esta ansiedade que tentando tanto para me consumir não sabe as lutas que já travei para mim, para a minha família e amigos. Sorrio agora que escrevo este post com a esperança de que amanha será um dia melhor, acabar o dia e ter a esperança que amanhã o dia será melhor é tão divino que não pode ser humano. Todos nós às vezes temos que ser super-heróis na nossa vida para nos salvarmos.
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Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,

e o que nos ficou não chega

para afastar o frio de quatro paredes.

Gastámos tudo menos o silêncio.

Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,

gastámos as mãos à força de as apertarmos,

gastámos o relógio e as pedras das esquinasem esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.

Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;

era como se todas as coisas fossem minhas:

quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.

E eu acreditava.

Acreditava,porque ao teu lado

todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,

era no tempo em que o teu corpo era um aquário,

era no tempo em que os meus olhos

eram realmente peixes verdes.

Hoje são apenas os meus olhos.

É pouco mas é verdade,uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor,já não se passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas,tenho a certeza

de que todas as coisas estremeciam

só de murmurar o teu nome

no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.

Dentro de ti

não há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo.

E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.


Eugénio de Andrade

A música das letras - Filipe Araújo

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Julieta errada.. Nós.. ...

Para ti somos so 3 ou 4 fotografias perdidas.. ..

Tu para mim és toda a tristeza que carrego -

Do fim.

Que contrasta com os sorrisos das tuas fotografias.. -que já não sei ver..

...As nossas cores mudaram..

-já não te sei ouvir..

Porque as razões do tempo não deixam..

Já não falamos mais..

Perdemos a linguagem..

Somos agora e só uma imagem palida e distorcida

A “baloiçar” dentro da memória..

Porque só nos lembramos da desgraça..

Porque rapidamente esquecemos a glória..

Agora..

Nao passamos de uma história adulterada..

Em que eu sou o verdadeiro romeu

E tu és a julieta errada..
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Aquele que foi ferido pela cegueira, não pode por isso esquecer que perdeu o precioso tesouro da sua vista...Tu não podes ensinar-me a esquecer.


William Shakespeare , Romeu e Julieta

Miguel Torga

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Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

A Quadrilha por Sara e Francisco

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Vou contar-vos do princípio uma história de desencontros na qual só entrei no fim.Desde muito cedo, percebi a importância que aquelas pessoas tinham umas para as outras. Não era o simples grupo de amigos que se juntava para umas saídas à noite, ou às sextas-feiras para beber um copo. Era o grupo de amigos, a quadrilha, que se juntava à sexta-feira e aos outros dias todos à volta dos copos. À volta das tempestades em copos de água, à volta das tempestades que traziam água aos olhos. Olhos que muito riram, olhos que muito viram, que olhos eram estes? Eram os olhos azuis do João, azul como o mar que lhe batia à porta todas as férias. Os olhos verdes da Teresa, verde como o pequeno jardim de sua casa onde brincavam. Os olhos castanhos do Raimundo, castanho como o tronco de árvore onde marcavam os seus nomes a cada final de férias como contrato de volta. A árvore era o notário, a testemunha, o compromisso, a promessa. Os olhos amarelados da Maria, amarelo como cada grão de areia, cada castelo construído, em tempos em que o drama era a força do mar ou a intensidade do vento que o destruí-a. Os olhos pretos do Joaquim, preto como o escuro das noites que lhes faziam companhia nas longas conversas. Os olhos alaranjados da Lili, laranja como o nascer e o pôr-do-sol, conforme o estado de espírito.



Encontravam-se todos os anos, todos os Verões e sempre na Costa, no Bairro do Sol. Nenhum lá nasceu, nenhum lá cresceu, nenhum lá viveu, mas um lá morreu. Nenhum lá viveu por mais de dois meses por ano, no entanto era lá que todos se sentiam em casa. Conheceram-se há aproximadamente quinze anos. Tinham eles seis, sete, ou oito anos.Passada a fase dos castelos, surgiu a dos príncipes e das princesas. Começaram a apaixonar-se, cresceram. O primeiro foi o João que viu em Teresa o despertar da paixão. Esta só tinha olhos para o Raimundo, que por sua vez, morria de amores pela Maria, que via em Joaquim o que Lili não via.Do grupo do Bairro do Sol, só Lili não se apaixonou qualificando-se como o muro de lamentações dos amigos. Depois daquele verão em que os sentimentos ultrapassaram o limite da amizade, nada voltou a ser o que era. Naquele fim de Verão, quando voltaram a escrever na árvore, não sabiam se podiam cumprir a promessa de voltar. Tinham agora dezoito anos e a sua infância ficou em frente ao Bairro do sol, enterrada na praia.



Os seus caminhos separaram-se. O João foi para os Estados Unidos estudar gestão, sempre teve jeito para números, era sempre ele que ficava que dividir as contas dos jantares. A Teresa percebeu que amava mais Deus que Raimundo e foi para o convento, para grande espanto de todos. O pobre Raimundo, o mais radical de todos, entrou para desporto. Morreu num acidente de moto dois anos depois daquele Verão, este acidente ficou-lhes marcado. A Maria que sempre foi a mais bonita, foi para design. Pode-se dizer que tem uma carreira de sucesso, mas com tantos pretendentes, não soube escolher e ficou para tia. O caminho mais inesperado foi o do Joaquim. Perdeu-se e só se encontrou de novo no Bairro do Sol, sozinho, encostado à árvore, com uma caixa de comprimidos ao lado, depois de riscar o seu nome, ele não voltaria.Depois daquele Verão no Bairro do Sol em que o amor os baralhou, só se voltaram a encontrar três vezes. A primeira no funeral do Raimundo, no qual choraram e fizeram promessas de se ver mais vezes, por eles, pelo Raimundo. Nada fizeram. A segunda no funeral do Joaquim, redobraram as promessas entre lágrimas. Estas secaram e com elas as promessas, só mais uma vez se viram. Por fim a terceira, no súbito casamento da Lili no qual perceberam que se tinham perdido e fizeram votos de nunca mais se separarem

Sim, no meu casamento com Lili. Lili casou-se comigo, J. Pinto Fernandes. Até ontem, não havia dia em que não ouvia falar no Bairro do Sol, na árvore onde escreviam os seus nomes ano após ano, e das “paixonetas” que foram bem mais do que isso. Tudo na Natureza nasce da chuva e do sol, sei que também Lili nasceu e cresceu graças ao sol que os amigos daquele Bairro lhe proporcionaram e que fizeram com que eu não pude deixar de me apaixonar por ela. Apesar das suas últimas férias no Bairro do Sol terem sido há muito tempo e das recordações já terem pó, agradeço aquele Bairro e os amigos por tudo o que fizeram pela minha Lili. Este bairro fez correr muita chuva nos seus olhos. Chuva de saudade e chuva de tristeza ou de alegria, conforme. Chuva de saudade a cada dia que passava e não os via, chuva de tristeza na morte de Raimundo e de Joaquim, chuva de alegria cada vez que se lembrava de mais um Verão.Conto esta historia por amor a Lili que foi ontem ter com Raimundo e Joaquim a um Bairro, que espero melhor que este. Aquelas férias foram os melhores da minha vida sem sequer as ter vivido. Quanto aos amigos do Bairro do Sol, nenhum deles se esqueceu daqueles Verões, mas nenhum deles teve coragem para dar Sol aos seus Bairros. Hoje encontro-me com eles todas as sextas-feiras. Por amor a Lili. É assim que a mantenho viva.

Divagar pelo sentimento de outro

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Negros os dias agora sem ti. Negros. Mesmo ao sol sinto-me escuro e acreditem na minha terra faz muito sol. Acreditem são negros os dias sem ti, tu me trouxeste uma nova paleta de cores quando os meus sentimentos eram daltónicos.

Depois foste embora e levaste em ti a cor. Agora vivo negro os meus dias negros.
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Um dia acordei e decidi como que por magia que ia viver a minha vida. às vezes a vida é assim, para ser vivida. otras não é para nos deitarmos e ficarmos assim a fingir que morremos mesmo estando a respirar. outras vezes pensamos que estamos a viver mas na verdade não estamos. eu estava morto e um dia acordei e decidi experimentar viver. gostei. tomei sozinho as minhas decisões. vesti a roupa que me apeteceu e não a que o patrão escolheu para mim. comi o que me apeteceu e não o que o médico me tinha cozinhado. beijei a rapariga de quem mais gostava e não a que gostava mais de mim. depois fui para o verde de onde sou e corri, de onde eu sou, aonde eu pertenço posso correr sem algemas de betão. lá não há limites. lá nasci e assim decidi que só lá estou vivO.