Cinema- Rescue Dawn

No comment yet

Confesso, como cinéfilo, andar desiludido com o cinema. Só o vício e a esperança me levam ao cinema. Considero a 7ª, a arte mais bonita. Mas, dizia eu, ando desiludido. Depois, há filmes que me enchem os sentidos por uns bons tempos. É o caso deste Rescue Dawn.

O filme conta a história (verdadeira) de Dieter Dengler durante a Guerra do Vietname. O filme começa com os ares de fanafarrão típicos de pilotos jovens que estão no centro da narrativa, continua com o abate do avião do nosso e herói e centra-se na detenção deste no Laos num cruel campo de prisioneiros.

A velha discussão do sentido da guerra está aqui posta em segundo plano para se falar de como sobrevive um homem nas mais adversas e crueis situações. E Dengler sobreviveu à crueldade dos vietcongs, à fome e à selva (a verdadeira prisão).

Soberbo Cristian Bale. Boa e consistente narrativa e uma excelente fotografia.


Um dos filmes do ano.

Cinema-Fados

No comment yet

O fado é uma rica amostra da cultura portuguesa. É uma canção triste e melancólica como o povo que nela cresceu e agora a ignora. Mas, o fado está vivo e o sucesso de novos fadistas como Mariza, Camané ou Ana Moura vai transbordando para nos lembrar que somos o povo da saudade. Os portugueses são talvez o único povo que saiba viver com a tristeza e não com a alegria.


Não sabemos é dar valor suficiente ao que temos e tem que vir um espanhol, Carlos Saura, fazer um filme sobre o fado. Não tenho o complexo anti-Espanha. Mas gostava de ver um realizador português filmar a história do fado e, depois de ver Fados, digo que há espaço para tal projecto.



Fados é um filme bonito. Mas não sabe contar a história a que se propõe. É, apenas uma sucessão de canções de fado e derivados. Mas é um filme interessante de se ver pois cada canção vale a pena ser ouvida.

Não há uma palavra no filme que não seja cantada e este filme não é mais que um concerto de vários artistas.


O filme não tem narrativa.



Mas o que filme tem é artistas que com talento e sentimento cantam o fado e os seus rebentos africanizados e abrasileirados.

Salvam o filme os artistas. Temos Caetano a cantar, em falsete, um dos mais conhecidos fados (Foi por vontade de Deus....que vivo nesta...) no mais puro português de Portugal; temos Mariza a mostrar-se como a personificação do fado actual e muitos mais artistas. Uns são monstros como Chico Buarque de Olanda, outros são jovens como a Carminho.


Este é um filme que cabe na banda sonora e , essa sim é muito boa.

Reflexões a metro

No comment yet
Pronvicianamente não gosto de andar de metro. Mas é prático e rápido. Por isso ando.
Mas no funcionamento do Metro de Lisboa não percebo a série de postos de atendimento que não servem para nada. Conheço um ao lado do local onde trabalho onde estão pelo menos duas pessoas dentro dum compartimento mas não podem fazer nada: não vendem bilhetes, não vendem passes e só a custo de uma cara feia dão informações. Para que serve esta gente?
No comment yet
Este é um dos meus poemas favoritos. Até hoje não fazia sentido dize-lo para ninguém. Agora faz e percebo o poeta na plenitude da minha baixa genialidade.

Para ti:

Corpo de mulher, alvas colinas, coxas brancas, ao mundo te assemelhas em teu ato de entrega.

O meu corpo selvagem de camponês te escava e faz saltar o filho das entranhas da terra.
Fui um túnel vázio.

De mim fugiam pássaros e a noite me infiltrava sua invasão resoluta.
Para sobreviver forjei-te qual uma arma, uma flecha em meu arco e pedra em minha funda.
Tomba porém a hora da vigança e eu te amo.

Corpo de pele e musgo, de leite ávido e firme.
Ah os vasos do peito!
Ah os olhos de ausência!
Ah as rosas do púbis!
Ah tua voz lenta e triste!
Corpo de mulher minha, persisto em tua graça,

Minha ânsia sem limites, meu caminho indeciso!
Sulcos escuros onde a sede eterna corre,
onde a fadiga corre, e a dor, este infinito.


Pablo Neruda
1 comment

"O que é sofrer para mim que estou jurado para morrer de amor?"


Djavan



Tenho ciúmes de cada dia em que eu não existia em ti. Tenho ciumes do teu passado porque eu não estava lá. Não gosto nem quero gostar de nada que fizeste antes mesmo agradecendo tudo o que és e sabendo que esses momentos idos fizeram-te.


Queria ter sido o teu primeiro. Em tudo. A provar-te. A dar-te o primeiro beijo. A primeira luz. O primeiro nascer do sol. Não suporto nem quero suportar que outros houveram antes que te fizeram sonhar. Por muito desfeitos que possam ter sido esses sonhos invejo-os. Quero-os todos para mim.


Quero absorver-te e roubar-te ao mundo para mim. Ficares no meio peito e o resto calar-se. às vezes iluminas-me mais que as estrelas. Tenho um astro meu. O teu passado não é meu mas o futuro é. É tão pouco tempo um futuro, não é?

O regresso de um rei II

No comment yet

1- José Rodrigues do Santos volta a mostrar um livro a Portugal numa altura em que a sua vida como jornalista se encontra atribulada. JRS veio a público dizer que se sofre pressões na RTP para passar certas mensagens e a RTP veio a público dizer que JRS tem tiques de estrela e não é bom empregado. Era uma vez um jovem pivot que em 1991 se tornou na estrela do canal ao fazer em directo a cobertura da Guerra do Golfo nas suas primeiras dez horas. Hoje JRS está muito próximo de deixar a RTP.


2- Mas JRS é mais que um jornalista. O homem que diz ter preguiça de escrever mais volta a piscar o olho a Dan Brown com um livro que tem como pano de fundo as questões ambientais (bem jogado agora que Al Gore ganhou o Nobel da Paz pelo seu empenho na luta verde).

JRS não é um bom escritor. Mas é um optimo compilador de informação e , após o sucesso de Codex 632 ou Fórmula de Deus regressa com um livro com a mesma história : o simpático professor Tomás Noronha regressa para as suas aventuras desta vez com o fim do mundo que o homem não soube cuidar.


3-JRS é um homem inteligente. Lançou o livro numa altura em que o seu nome é falado e lançou um livro sobre uma questão da qual todo o mundo fala. Seja bom empregado da RTP ou não, JRS é um escritor eficaz e que proporciona uma leitura pedagógica e divertida. Pena é que mantenha há três livros a fórmula vencedora em vez de arriscar.


4-Confesso já ter lido umas boas linhas do novo livro e gosto. É leve e divertido mas fala de assuntos de pouco riso. JRS não é um grande escritor mas põe os portugueses a ler. E como o próprio diz tem o mérito de ter posto milhares de portugueses a ler sobre história e ciência. Mérito.

Caetano

No comment yet

Caetano deu sábado um concerto menor. Mas, sem rodeios, digo já que Caetano é um nome maior e um concerto seu, sendo menor é maior que muitos outros.

Caetano parece em crise de meia idade (mas já tem 65 anos) e faz neste show Cê um concerto de rock com músicas mais electrónicas, com músicas em inglês (dos tempos londrinos certamente) e com muita dança e saltos. Puxa pelo sorriso mas não é isto que se espera de Caetano. Caetano também não se importa do que dele se espera. Caetano é maior e faz o que o génio, imprevisivel, lhe manda. Nesta fase o seu génio manda-lhe "rocar".

Há algum mérito neste Cê com a música Odeio(Caetano diz que o ódio é a forma mais profunda de amor, curiosa visão), há outra música dedicada à ex-mulher onde Caetano diz não se arrepender. E, Caetano não se arrepende nem tem medo de não ser correcto.

E não o é politicamente ao cantar Porquê onde repete "estou-me a vir" dezenas de vezes.

Mas aquilo que melhor Caetano faz é sentar-se com o seu violão e cantar pérolas como Meu Coração, Cucurrucucu Paloma ou Amália. Aí é que Caetano Veloso torna tudo o que é menor em música maior.

Para pensar

No comment yet
"O director-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) afirmou hoje que o planeta produz comida suficiente para alimentar a população mundial, mas 854 milhões de pessoas continuam a passar fome.
A constatação de Jacques Diouf está expressa na mensagem divulgada por ocasião ao Dia Mundial da Alimentação, que hoje se assinala em todo o mundo, na qual defende a necessidade de se assegurar um fornecimento adequado e estável de alimentos a todo o ser humano"

Nobel da Literatura

No comment yet

O Nobel da literatura não é mais que uma lotaria na qual os lunáticos membros do júri tentam não premiar o melhor escritor mas sim surpreender escolhendo um que ninguém está à espera.

A honraria coube este a ano à anciã Doris Lessing e nem ela própria levou a sério o prémio. Ainda assim receb uma bela maquia e um prémio que, teria sido merecido sim mas, há alguns anos.

Não se percebe como nõa são laureados nomes tão distintos e de uma classe e unanimidade mundial como é o caso do favorito a este ano Milan Kundera.

Ser desmancha prazeres parece ser o gozo de quem atribui este prémio.


Sobre este tema clica aqui para veres uma muito interessante reportagem



A fabulosa ascensão da Miss L

1 comment

Tenho orgulho em ti. Toma consciencia dos teus poderes e serás a cada dia maior. E eu aqui fico a admirar.

Vento - Elegia analógia

7 comments

Confesso

ter estranhado

o vento de norte

num dia de sul

veranil

que a mim te trouxe

como presente estival







Admito

vir a entranhar-me

na rajada de gélido vento

que num dia

sazonal

de ladrão de folhas de árvore

a mim te roubará





Reconheço

sentir-se a falta



Todo eu sou hoje

um vento mais do que disperso










Francisco Reis

As cores da amiga

2 comments

Diz a socieadade que à luz das suas mais espartilhadas opiniões e mais genéricos conceitos somos amigos coloridos. E somos. Mas para mim de uma forma bem mais alegre e ao melhor estilo do rebentar do arco-íris.

És a minha amiga colorida porque és feita de luz e assim trouxeste as mais primárias cores á minha vida. E das primárias cores que pareces ser fundiste te em mim e fizemos novas cores. Mais bonitas.
És a cor da minha vida. A vida de um poeta é um esquisso a carvão. Não estou habituado à cor. És o meu arco-irís. Hoje, aqui e agora.

Serenata desafinada à chuva

No comment yet
Sporting e Benfica empataram a zero num pobre jogo de futebol.
Os adeptos foram fieis e compareceram ao derby apesar da copiosa chuva que cai em Lisboa. Ainda assim o clássico de Lisboa registiu 48.000 espectadores, quando o estádio tem capacidade para 65.ooo. Se o clássico maior não enche a Luz , que jogo encherá?
Benfica e Sporting fizeram exibições fracas e de lado a lado houve incriveis falhanços frente à baliza fruto de falhanços ainda maiores das defesas.
A arbitragem foi muito má e mostra que nõa teremos tão cedo um representante num Euro ou Mundial. Pedro Henriques apitou tudo e foi fortemente responsável pelo triste espectaculo de sábado. O juiz marcou falta por tudo e nada mas não soube dar cartões nem marcar penaltys. E três penaltys (2-1 para o Sporting) deviam ter sido marcados inclisive um que o "bandeirinha" assinalou e o árbitro ignorou.
O futebol português está doente: a arbitragem é uma farsa; os bons jogadores vão saindo, os dirigentes são protagonistas e o público perde a fé.

Esquissos (a obra prima do tempo)

1 comment





O calendário avança em “sprint” nos números e eu tento abrir uma “brecha” na impiedosa saudade feita aço que tenho ti..saudade que me deixa um inacabado esquisso suspenso na tela que o tempo vai pintando em cores funebres.




A cada dia que passa o impossível ressuscitar de nós vai-se afirmando como a irreversibilade da vida e da eternidade!somos “fim” condenados pelo destino e pelas circunstancias bizarras...apesar de tudo, ainda te encontro tao viva dentro de 1001 musicas,de centenas de objectos,cores,cheiros..recordaçoes torturantes dos meus dias..foste embora e levas-te me o coração e em troca deixaste um relógio lento..levaste a alegria e em compensação deixast o desalento..(nunca fui bom em “trocas”)..agora que fazer de ti??




que fazer dos poemas que ia escrever para ti?que fazer dos acordes do piano que não vou ouvir??ou dos teus poemas que não vou ler??que fazer das memórias???que fazer do que ficou por trocar??....talvez tentar dissolver tudo em meia duzia de músicas tristes..que ficarão perdidas como nós nos perdemos, no meio das nossas ideias egoistas e prepotentes que se “esbarram” dentro da nossa cabeça sobre como uma relação deve ou não ser.. Ideias que servem como a “desculpa perfeita” para o caír do pano..para o “the end”..deixando em letras garrafais no pensamento a palavra “ESQUECER” como se fosse o objectivo primordial que prentendemos cumprir baseados em razões ridículas... na nossa “errância” o tempo lá vai acabando a sua obra prima e nós(esquissos) pouco a pouco na “persistencia” dele(tempo) seremos nada!






Filipe Araujo

José

No comment yet

Um dia um senhor russo , com muitos milhões de euros, viu um jogo de futebol que acbou com um resultado de 4-3 ou algo parecido. Apaixonou-se pelo que viu e com o capricho que os milhões devem dar decidiu ali mesmo que iria comprar um clube que tivesse uma equipa para dar "show".

Esse senhor , Roman Abramovich de seu nome, comprou o Chelsea. Um simpático clube de uma zona fina de Londres. Uma zona de luxo como Roman gosta e numa cidade onde se é bastante tolerante com os impostos, o que no caso dos largos milhões russos dá jeito.

Comprado o clube desatou a comprar jogadores. Alguns conceituados como Crespo e Véron, outros nem tanto como Duff, Joe Cole ou Jonhsen. Comprou ainda um russo , Smertin, para ter um compadre seu a jogar. Ranieri era o treinador mas cedo se viu que não servia para por aquela malta a jogar junta.

Em 2004 chegou Mourinho. Campeão europeu pelo FCP chegou a Londres confiante e com duas estrelas atrás (Ferreira e Carvalho). No primeiro dia declarou que não era um qualquer. Disse que era especial. E a partir daí tornou-se no "special one".

E foi especial. Nos dois anos que se seguiram construi uma fabulosa equipa de futebol e mais que isso, uma máquina de ganhar jogos em série. Bi-campeão em dois anos.

Contava com uma grande equipa. Na baliza Cech tornou-se no melhor do mundo; na defesa o goleador e capitão Terry fazia dupla com Carvalho e nas alas Ferreira e Gallas, no meio campo três homens Makelele, o essencial e decisisvo Lampard e muitas vezes Eidur Gudjohnsson que adaptado a médio deu muito jeito; no ataque Rooben e Cole demolidores a criar golos, a suplente havia Duff. No ataque um modesto marfinense vindo do Marselha fez-se num dos melhores avançados do mundo-Didier Drogba.

Em três anos de Chelsea Mourinho conseguiu seis títulos. Notável. O Chelsea não era campeão há 50 anos e só o tinha sido uma vez. Com José foi duas, o que o faz o melhor treinador de sempre do Chelsea, não fará?

Falhou a CL mas com tempo o Chelsea podia lá chegar. Mas, a Mourinho não foi dado tempo.

Mourinho e o Chelsea chegaram a acordo para o que se diz ser uma rescisão por decisão mútua. A verdade é que Mourinho é arrogante e autoritário e Abramovich também. Abramovich começou a usar de má fé no ano passado quando se que Mourinho o quisesse comprou o passe de Shevchenko e Ballack que não fazia falta mas pelo nome e preço obrigavam Mourinho a experimenta-los na equipa. Nenhum dos dois vingou mas Mourinho mudou o sucesso do 4-3-3 para um fraco 4-4-2. Lampard caiu de rendiamento e Gallas e Duff deixaram Stanford Bridge. Fizeram falta. Escapou o campeonato e começaram as birras de Romam.

O rico não queria gastar mais dinheiro e negou a Mourinho diversos reforços. Para além disso Frank Arnesen era uma faca apontada a Mourinho e Avram Grant , amigo de Abramovich, foi contratado para espiar e pressionar Mourinho.

Mourinho não teve medo de pressões mas aguentou-se. Agora fartou-se e vai embora. Recebe 24 milhões de euros e daqui a uns dias o melhor treinador do mundo estará num colosso (aposto no Inter).

Quem perdeu foi o futebol inglês que voltará a ser a chatice mediática de antes. Acabam as guerras com Wenger e Ferguson, acabam os primeiros canticos dedicados a um treinador e principalmente começa o fim do Chelsea.

Avram Grant é o novo treinador mas não tem competencia para se-lo. Os jogadores sentem já a falta de José (Drogba chorou com a saída) e adivinha-se uma rebelião no mercado de Inverno. Lampard e Drogba estão na linha da frente para ir embora.

Agora sofrem os adeptos. O Chelsea voltará a ser uma equipa banal.

E, daqui a pouco tempo Roman farta-se e leva os caprichos e os milhões para outro lado e esta fase azul dobrada a ouro acaba.

E Mourinho estrá noutro sítio qualquer a ganhar tudo.