Do futebol português

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1- O futebol português está doente. Podre. A única esperança é que haja uma completa restruturação.


2- Os jogadores bons só cá nascem e passam para ir para melhores equipas e campeonatos. Os outros são medianos e proporcionam jogos medianos. Esses são a maioria.
Em Portugal os jogadores jogam-se para o chão e tentam sempre enganar o árbitro. Não existe respeito pelo jogo.


3- Os estádios estão vazios. Falo de estádios para 30.000 pessoas que têm em média 300. Leiria ou Aveiro. Falo de estádio que não têm ninguém que puxe pelo futebol. O povo perdeu a fé. ganhou a TV.


4- Os árbitros são muito maus. Nem um tem categoria e , dá sempre a sensação de que um ou dois clubes são beneficiados. Árbitros isentos, é o que se pede. Só isso. a corrupção reina. E, hoje em dia já não se disfarça- rouba-se à frente de todos. Qual é o mal? Não há ninguém nos estádios para ver.

5- Os dirigentes querem ser protagonistas. E são. Os jornais dão-lhes as capas. E quase todos parecem brutos e selvagens. E são.


Assim vai este país do futebol onde a esperança parece vir de Alcochete. Não chega. Quero limpeza.

Cinema

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1-Peço desculpa caros leitores (pela contagem de visitas, vocês existem mesmo) de não ter mantido o blogue com tanta assiduidade como merecem e, acima de tudo, de não ter variado muito no tema do cinema. Mas, se são leitores deste espaço também são amantes de cinema. Certo?


2- O primeior filme que critico chama-se Elizabeth- A idade de ouro. É a sequela de Elizabeth de 1998 e volta a trazer a fabulosa Cate Blanchett no papel de Elizabeth, a rainha virgem, que reinou com determinação e fez de Inglaterra uma nação valente e digan de respeito ( bélico).


3- O filme tem sido duramente criticado. Por grassos erros históticos e por falta de narrativa. Não sou historiador, não posso contra-atacar nesse campo mas vi um bom filme e que diferença me faz se Mary Stuart tem sotaque escocês e não francês? Influencia realmente o filme?

Não sou crítico profissional de cinema mas vi o filme e não me perdi na narrativa, achei-a lógica e cavalgante. Gostei.


4- É obvio que o filme gira à volta do talento imenso de Cate, mas não é esse o fado das melhores actrizes? O filme é bom, conta uma boa história, tem boa fotografia e bom guarda-roupa, tem bons actores e , para mim é um filme a não perder. Mas não me liguem muito. Não leiam criticas, vejam o filme.



5- No outro extremo está um filme muito mau. Daniel Craig e Nic Kidman não salvam a Invasão. Uma boa ideia transformada num filem rídiculo. Uma vez mais, sejam voces os juizes.

Cinema- Rescue Dawn

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Confesso, como cinéfilo, andar desiludido com o cinema. Só o vício e a esperança me levam ao cinema. Considero a 7ª, a arte mais bonita. Mas, dizia eu, ando desiludido. Depois, há filmes que me enchem os sentidos por uns bons tempos. É o caso deste Rescue Dawn.

O filme conta a história (verdadeira) de Dieter Dengler durante a Guerra do Vietname. O filme começa com os ares de fanafarrão típicos de pilotos jovens que estão no centro da narrativa, continua com o abate do avião do nosso e herói e centra-se na detenção deste no Laos num cruel campo de prisioneiros.

A velha discussão do sentido da guerra está aqui posta em segundo plano para se falar de como sobrevive um homem nas mais adversas e crueis situações. E Dengler sobreviveu à crueldade dos vietcongs, à fome e à selva (a verdadeira prisão).

Soberbo Cristian Bale. Boa e consistente narrativa e uma excelente fotografia.


Um dos filmes do ano.

Cinema-Fados

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O fado é uma rica amostra da cultura portuguesa. É uma canção triste e melancólica como o povo que nela cresceu e agora a ignora. Mas, o fado está vivo e o sucesso de novos fadistas como Mariza, Camané ou Ana Moura vai transbordando para nos lembrar que somos o povo da saudade. Os portugueses são talvez o único povo que saiba viver com a tristeza e não com a alegria.


Não sabemos é dar valor suficiente ao que temos e tem que vir um espanhol, Carlos Saura, fazer um filme sobre o fado. Não tenho o complexo anti-Espanha. Mas gostava de ver um realizador português filmar a história do fado e, depois de ver Fados, digo que há espaço para tal projecto.



Fados é um filme bonito. Mas não sabe contar a história a que se propõe. É, apenas uma sucessão de canções de fado e derivados. Mas é um filme interessante de se ver pois cada canção vale a pena ser ouvida.

Não há uma palavra no filme que não seja cantada e este filme não é mais que um concerto de vários artistas.


O filme não tem narrativa.



Mas o que filme tem é artistas que com talento e sentimento cantam o fado e os seus rebentos africanizados e abrasileirados.

Salvam o filme os artistas. Temos Caetano a cantar, em falsete, um dos mais conhecidos fados (Foi por vontade de Deus....que vivo nesta...) no mais puro português de Portugal; temos Mariza a mostrar-se como a personificação do fado actual e muitos mais artistas. Uns são monstros como Chico Buarque de Olanda, outros são jovens como a Carminho.


Este é um filme que cabe na banda sonora e , essa sim é muito boa.

Reflexões a metro

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Pronvicianamente não gosto de andar de metro. Mas é prático e rápido. Por isso ando.
Mas no funcionamento do Metro de Lisboa não percebo a série de postos de atendimento que não servem para nada. Conheço um ao lado do local onde trabalho onde estão pelo menos duas pessoas dentro dum compartimento mas não podem fazer nada: não vendem bilhetes, não vendem passes e só a custo de uma cara feia dão informações. Para que serve esta gente?
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Este é um dos meus poemas favoritos. Até hoje não fazia sentido dize-lo para ninguém. Agora faz e percebo o poeta na plenitude da minha baixa genialidade.

Para ti:

Corpo de mulher, alvas colinas, coxas brancas, ao mundo te assemelhas em teu ato de entrega.

O meu corpo selvagem de camponês te escava e faz saltar o filho das entranhas da terra.
Fui um túnel vázio.

De mim fugiam pássaros e a noite me infiltrava sua invasão resoluta.
Para sobreviver forjei-te qual uma arma, uma flecha em meu arco e pedra em minha funda.
Tomba porém a hora da vigança e eu te amo.

Corpo de pele e musgo, de leite ávido e firme.
Ah os vasos do peito!
Ah os olhos de ausência!
Ah as rosas do púbis!
Ah tua voz lenta e triste!
Corpo de mulher minha, persisto em tua graça,

Minha ânsia sem limites, meu caminho indeciso!
Sulcos escuros onde a sede eterna corre,
onde a fadiga corre, e a dor, este infinito.


Pablo Neruda
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"O que é sofrer para mim que estou jurado para morrer de amor?"


Djavan



Tenho ciúmes de cada dia em que eu não existia em ti. Tenho ciumes do teu passado porque eu não estava lá. Não gosto nem quero gostar de nada que fizeste antes mesmo agradecendo tudo o que és e sabendo que esses momentos idos fizeram-te.


Queria ter sido o teu primeiro. Em tudo. A provar-te. A dar-te o primeiro beijo. A primeira luz. O primeiro nascer do sol. Não suporto nem quero suportar que outros houveram antes que te fizeram sonhar. Por muito desfeitos que possam ter sido esses sonhos invejo-os. Quero-os todos para mim.


Quero absorver-te e roubar-te ao mundo para mim. Ficares no meio peito e o resto calar-se. às vezes iluminas-me mais que as estrelas. Tenho um astro meu. O teu passado não é meu mas o futuro é. É tão pouco tempo um futuro, não é?

O regresso de um rei II

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1- José Rodrigues do Santos volta a mostrar um livro a Portugal numa altura em que a sua vida como jornalista se encontra atribulada. JRS veio a público dizer que se sofre pressões na RTP para passar certas mensagens e a RTP veio a público dizer que JRS tem tiques de estrela e não é bom empregado. Era uma vez um jovem pivot que em 1991 se tornou na estrela do canal ao fazer em directo a cobertura da Guerra do Golfo nas suas primeiras dez horas. Hoje JRS está muito próximo de deixar a RTP.


2- Mas JRS é mais que um jornalista. O homem que diz ter preguiça de escrever mais volta a piscar o olho a Dan Brown com um livro que tem como pano de fundo as questões ambientais (bem jogado agora que Al Gore ganhou o Nobel da Paz pelo seu empenho na luta verde).

JRS não é um bom escritor. Mas é um optimo compilador de informação e , após o sucesso de Codex 632 ou Fórmula de Deus regressa com um livro com a mesma história : o simpático professor Tomás Noronha regressa para as suas aventuras desta vez com o fim do mundo que o homem não soube cuidar.


3-JRS é um homem inteligente. Lançou o livro numa altura em que o seu nome é falado e lançou um livro sobre uma questão da qual todo o mundo fala. Seja bom empregado da RTP ou não, JRS é um escritor eficaz e que proporciona uma leitura pedagógica e divertida. Pena é que mantenha há três livros a fórmula vencedora em vez de arriscar.


4-Confesso já ter lido umas boas linhas do novo livro e gosto. É leve e divertido mas fala de assuntos de pouco riso. JRS não é um grande escritor mas põe os portugueses a ler. E como o próprio diz tem o mérito de ter posto milhares de portugueses a ler sobre história e ciência. Mérito.

Caetano

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Caetano deu sábado um concerto menor. Mas, sem rodeios, digo já que Caetano é um nome maior e um concerto seu, sendo menor é maior que muitos outros.

Caetano parece em crise de meia idade (mas já tem 65 anos) e faz neste show Cê um concerto de rock com músicas mais electrónicas, com músicas em inglês (dos tempos londrinos certamente) e com muita dança e saltos. Puxa pelo sorriso mas não é isto que se espera de Caetano. Caetano também não se importa do que dele se espera. Caetano é maior e faz o que o génio, imprevisivel, lhe manda. Nesta fase o seu génio manda-lhe "rocar".

Há algum mérito neste Cê com a música Odeio(Caetano diz que o ódio é a forma mais profunda de amor, curiosa visão), há outra música dedicada à ex-mulher onde Caetano diz não se arrepender. E, Caetano não se arrepende nem tem medo de não ser correcto.

E não o é politicamente ao cantar Porquê onde repete "estou-me a vir" dezenas de vezes.

Mas aquilo que melhor Caetano faz é sentar-se com o seu violão e cantar pérolas como Meu Coração, Cucurrucucu Paloma ou Amália. Aí é que Caetano Veloso torna tudo o que é menor em música maior.

Para pensar

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"O director-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) afirmou hoje que o planeta produz comida suficiente para alimentar a população mundial, mas 854 milhões de pessoas continuam a passar fome.
A constatação de Jacques Diouf está expressa na mensagem divulgada por ocasião ao Dia Mundial da Alimentação, que hoje se assinala em todo o mundo, na qual defende a necessidade de se assegurar um fornecimento adequado e estável de alimentos a todo o ser humano"

Nobel da Literatura

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O Nobel da literatura não é mais que uma lotaria na qual os lunáticos membros do júri tentam não premiar o melhor escritor mas sim surpreender escolhendo um que ninguém está à espera.

A honraria coube este a ano à anciã Doris Lessing e nem ela própria levou a sério o prémio. Ainda assim receb uma bela maquia e um prémio que, teria sido merecido sim mas, há alguns anos.

Não se percebe como nõa são laureados nomes tão distintos e de uma classe e unanimidade mundial como é o caso do favorito a este ano Milan Kundera.

Ser desmancha prazeres parece ser o gozo de quem atribui este prémio.


Sobre este tema clica aqui para veres uma muito interessante reportagem



A fabulosa ascensão da Miss L

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Tenho orgulho em ti. Toma consciencia dos teus poderes e serás a cada dia maior. E eu aqui fico a admirar.

Vento - Elegia analógia

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Confesso

ter estranhado

o vento de norte

num dia de sul

veranil

que a mim te trouxe

como presente estival







Admito

vir a entranhar-me

na rajada de gélido vento

que num dia

sazonal

de ladrão de folhas de árvore

a mim te roubará





Reconheço

sentir-se a falta



Todo eu sou hoje

um vento mais do que disperso










Francisco Reis

As cores da amiga

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Diz a socieadade que à luz das suas mais espartilhadas opiniões e mais genéricos conceitos somos amigos coloridos. E somos. Mas para mim de uma forma bem mais alegre e ao melhor estilo do rebentar do arco-íris.

És a minha amiga colorida porque és feita de luz e assim trouxeste as mais primárias cores á minha vida. E das primárias cores que pareces ser fundiste te em mim e fizemos novas cores. Mais bonitas.
És a cor da minha vida. A vida de um poeta é um esquisso a carvão. Não estou habituado à cor. És o meu arco-irís. Hoje, aqui e agora.

Serenata desafinada à chuva

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Sporting e Benfica empataram a zero num pobre jogo de futebol.
Os adeptos foram fieis e compareceram ao derby apesar da copiosa chuva que cai em Lisboa. Ainda assim o clássico de Lisboa registiu 48.000 espectadores, quando o estádio tem capacidade para 65.ooo. Se o clássico maior não enche a Luz , que jogo encherá?
Benfica e Sporting fizeram exibições fracas e de lado a lado houve incriveis falhanços frente à baliza fruto de falhanços ainda maiores das defesas.
A arbitragem foi muito má e mostra que nõa teremos tão cedo um representante num Euro ou Mundial. Pedro Henriques apitou tudo e foi fortemente responsável pelo triste espectaculo de sábado. O juiz marcou falta por tudo e nada mas não soube dar cartões nem marcar penaltys. E três penaltys (2-1 para o Sporting) deviam ter sido marcados inclisive um que o "bandeirinha" assinalou e o árbitro ignorou.
O futebol português está doente: a arbitragem é uma farsa; os bons jogadores vão saindo, os dirigentes são protagonistas e o público perde a fé.