Domingo de tristeza

Os sonhos ficam no sono e a realidade acorda-nos. Há dias maus. Quando um dos nossos heroís se despenha esses dias são relativos e sente-se um fogo guloso no corpo. Coloquei a minha mão na fria mão do avô. Fui sozinho com ele na ambulância. Fingi que já era adulto. O que sou foi ele que me fez. Um taberneiro que me ensinou boas maneiras. Um homem simples que sabia de matematica. Umas mãos de vinho que desenhavam. abosrvi-lhe o humor, os desenhos, a boa eduacção e a generosidade. Sentia-o a desvanecer e na maca foi para dentro. Olhei para as portas de vidros que se fechavam como se lhes pedisse que mo devolvessem curado. Sentei-me perdido. Falei com uma médica severa. Com uma meiga enfermeira. Uma mandada auxiliar entregou-me um saco. Lá dentro uma camisa rasgada, a roupa, a esperança ingénua de que voltaria comigo para casa de pronto. Não voltou ainda. Deram-me um relógio e uma aliança. Não quero aquele ouro todo. Quero o avô. Quero-o como uma criança. Quero voltar a casa e quero tudo igual. O homem mais forte do mundo. Á minha espera. Aquela piada. Aquele sorriso.
Voltei a ve-lo entubado. Voltei a vê-lo de olhos fechados. Uma máquina respira por ele. Que não lhe doa. Se não volta para mim que parta sem a dor que de tantos afastou. Que bela vida. Dê-nos mais de si. Por favor, Chaveiro, dê-nos um pouco mais.





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