Em memória do avô
Tenho 24 anos. 23 Natais foram passados com o avô. Este já não será. Naquele dia de verão entrei na ambulência e o avô comigo. Não voltou a sair. À medida que o Natal se aproxima só me lembro do vazio que será. Sem o avô esta festa não tem nada para festejar. Apetece-me que seja já 26 de Dezembro. Mas é pior. Nesse dia faz seis meses de falta dele.
Sei que vai doer porque já doi. Sei que doi porque é o primeiro Natal sem ele mas, ninguém me convence de que para o ano será melhor. Não será. A dor não passa nunca. Habituamo-nos a ter buracos. Habituamo-nos a sobreviver. Mas nunca passa.
Com o avô jantávamos cedo no dia 24. O bacalhau com todos. Um doce. Abríamos as prendas e pronto. A 25 um almoço com vários e deliciosos pratos. Este ano será assim mas sem avô portanto não será assim mas sempre menos. Desde aquele dia tudo é menos.










