Elegias eligíveis para tétricas tentativas

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1
Há em mim
Algo dentro
Que se solta e voa
Para não mais voltar
Como o todo que devo ser
Não fosse tudo
E eu
Em nada me torno
2
Nasci de uma montanha
Que me desabou em cima
Irrompi
Para uma fraca luz
E cresci no trapézio
As vezes as pedras da montanha mãe
Fizeram-me cair
3
Que estranha criatura vive em mim
Que me irrompe pelas entranhas acima
E me domina?

Millenium

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Uma semana depois acabei de ler "Os Homens que odeiam as Mulheres" do sueco Stieg Larsson acabei hoje de manhã esta interessante demanda enquanto que, já tenho na estante os outros dois livros da Colecção Millenium.

Larsson, falecido em 2004, antes do Mundo se apaixonar pelos seus livros, tem uma escrita fácil de ler, intuitiva e viciante sem cair no entanto em facilitismos. Não há um final previsível, não há a típica história de um homem valentão e da mulher frágil que o ajuda a desvendar os mistérios. Há a construção e evolução quase palpável das personagens. Mikael Blomkvist, é um determinado jornalista da área de economia, mas, é também um homem, no ínicio do romance, sem credibilidade ante os seus pares após ter sido condenado por difamação.

Mas, Blomkvist, contratado por um riquíssimo industrial para resolver sob os olhos do jornalismo de investigação, o estranho desaparecimento da sobrinha do seu contrante, é humano e, Larsson expõe-nos as suas fragilidade. O medo de não voltar a ter credibilidade como jornalista, o medo de se distanciar irremediavelmente da filha adolescente que vive com a mãe, o medo da solidão que tenta afastar com um relacionamento forte mas ocasional com a sócia Erika, casada. Não temos o típico herói solitário e destemido. Devido a acontecimentos que apenas são revelados tarde no livro, Mikael torna-se até frágil e traumatizado.

Também a sua companheira de aventuras não é uma donzela a precisar de ser salva. É uma determinda mulher. Apesar de rotulada de sociopata ou até associal é uma confiante investigadora e uma temível hacker. Muitas vezes é ela que se torna na heroína, na força do casal. Que se juntem é inevitável mas não há clichés.

Há uma história bem construída, bem escrita, sem pressas de revelar, com muitas e demoradas descrições. As personagens têm passado e evoluem. Bom livro. Hoje começo o segundo.

Pode este senhor passar de moda?

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How glad the many millions of annabelles and lillians

Would be to capture me

But you had such persistence, you wore down my resistance

I fell and it was swell

Im your big and brave and handsome romeo

How I won you

I shall never never know

Its not that you re attractive

But, oh, my heart grew active

When you came into view

Ive got a crush on you, sweetie pie

G I Joe

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Cresci em Cercal do Alentejo e, só me mudei para Lisboa aos 18 anos. Desde o inicio dos anos 90 e, até vir viver para cá, vinha visitar a minha tia muitas vezes. Na fase em que gostava de brincar gostava de Playmobil que a minha mãe me comprava de mês a mês e que, quando eu tinha os meus 15 anos já era uma impressionante colecção.


Mas, eram os G I Joe os meus favoritos. Nessa altura de meninice a minha mãe dava três contos para vir a Lisboa. Dois eram para o bilhete de regresso, mas no dia antes de vir a tia pagava o bilhete e, eu conservava os dois contos. O outro conto, era para um G I Joe. Levava sempre um. Não era esquisito, quando a tia ia às compras ao Carrefour de Telheiras eu ia também e escolhia um soldadinho. Primeiro eram guerreiros, depois eram conevrtidos em jogadores de futebol, com um berlinde como bola e com balizas feitas por mim: palinhas com arame dentro e rede das caixas de fruta a fazer de rede das balizas. Bons tempos de poucos gastos e muito engenho.




PS: Saiu agora o filme G I Joe e uma nova colecção desses míticos bonecos

23 meses depois

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É amor. É assim que se chama aquilo que nos une. Não que tivesse dúvidas disso. Há muito que o percebi. Mas, sabes, há dias, horas ou pequenos momentos em que me consciencializo mais de que é amor. Se calhar não começou tão cortez como devia. Talvez devesse ter sido minha a iniciativa mas, não interessa como começou quando tenho a certeza de que não acaba.

É este amor que me aguenta equilibrado num Mundo em movimento. É este amor que me cura num Mundo às voltas. É por beber em ti que não tenho mais sede. É como se me alimentasse de ti sem ter sequer de te frequentar as carnes, sem ter de chupar o sangue. Basta-me que existas. Basta saber-te duas salas abaixo de mim de dia e um sofá ao lado de noite. Basta saber que há pureza e verdade neste sentimento que arrasta a minha pena para a fronteira da lamechice para que o meu coração insista em bater demoniacamente.

É amor e continua a sê-lo como sempre. Passam os meses, hão-de passar anos, havemos de ter a casa, os filhos, os cães, as discussões, os problemas. Havemos ainda de ter muito meu amor, teremos tanto ainda que estes 23 meses parecerão uma gota na longa vida que nos espera um junto ao outro.

Um dia, velhos e gastos, daremos ainda a mão num qualquer alpendre de uma qualquer casa e olharemos para os pequenos netos que correrão à nossa frente e, poderemos pensar: é amor.